Noruega

01-04-2019

Um sonho de menina ... Ver Auroras Boreais!

Mas antes disso, como foi planear ir à Noruega?

Inicialmente, foi olhar para o país e pensar 

- "Qual será mesmo a zona?" - O Norte

-"Qual será mesmo a cidade?" - Alguma com aeroporto

-"Só com aeroporto?" - Não, tem de ter história e conjugar uma harmonia perfeita para as auroras

TROMSO foi a escolhida.

Tromso é uma ilha da Noruega, com tudo aquilo que sempre li, pesquisei e tentei imaginar.

Começando pela cidade, está conectada por 2 pontes pelo que optei por não dormir no centro (dado os preços) e ficar junto à Catedral do Ártico. Uma ótima ideia pois todos os dias fazia algum caminho a pé o que me fazia conhecer algo mais, sentir aquele ar típico que tanto gostei, afinal coisa importante, em janeira NUNCA HÁ SOL nesta cidade.

O alojamento foi o hostel Beijing home, basicamente é uns baixos de uma casa, mas com tudo aquilo que podia precisar, super quentinho, super acessível, super tranquilo, super bom vah.

A 3 minutos a pé tinha a Catedral do Ártico de um lado e do outro, a 3 minutos também o teleférico/caminho que dá acesso à montanha mais alta da zona com um observatório da cidade e de auroras.

Na cidade há muito para ver, museus (grande parte gratuitos), a Polaria, dedicada aos animais típicos do Ártico e à sua conservação, o centro de ciência com experiências incríveis para serem testadas pelos visitantes, as ruas, as RUAS sim são de cortar a respiração, e ainda o FESTIVAL DO ARTICO, que ao acaso aconteceu na semana que viajei para a TROMSO. Há corridas de renas, construções de gelo, concertos noturnos e mais 1001 coisas incríveis.

Além de tudo isto, esta zona um dia foi habitada por trolls, é possível encontrar lendas, figuras míticas e mais 1001 coisas sobre eles. Para pessoas que adoram o mundo encantado vale a pena ir à cidade, ler a historia dos trolls e depois caminhar até montanha, no meio da floresta para viver tudo aquilo que se leu.

E as auroras? Essa é a pergunta que todos fazem, mas antes das auroras temos de conhecer o povo indígena que habita nesta zona, os SAMI.

Os Sami são um povo mítico, com crenças muito próprias e símbolos que caracterizam a sua vida.

Tive a oportunidade de conviver com eles, ao fim de umas horas em montanha e pode-se dizer que é das melhores coisas que já me aconteceu na vida.

Para eles, as auroras são as almas dos seus antepassados a dançar no céu, transparecem paz ao seu povo e dependendo das cores tem significados diferentes como as verdes para o povo comum e as roxas para as almas dos sábios.

Com tendas como a fotografia, vivem na floresta em harmonia com a Natureza. Não estão sempre disponíveis para receber toda a gente, afinal se todos fossem lá para tirar fotografias não seriam mais do que bonecos de exposição em vez de pessoas.

Mas felizmente eu consegui estar no acampamento, segundo eles "és uma pessoa com boa energia e completamente ligada à Mãe Terra".

Nessa noite tive a oportunidade única de ver o melhor espetáculo da minha vida, o céu dançava, como se houvesse música, o movimento era rápido, intenso e incrível. Não havia tempo para tirar fotos, só para aproveitar o momento.

Afinal durante aquele momento e com a escolha de dois símbolos Sami, consegui saber que "és uma pessoa engenhus, significa que és dada à engenharia, que consegues fazer tudo aquilo que quiseres com as mãos, com uma capacidade enorme para o saber fazer" (tal e qual eu...) e ainda o outro símbolo, as patas do husky "essa pessoa em quem pensas é o teu parceiro para a vida, não penses como, nem quando, só confia nas luzes e acredita que o encontras-te"...

Mas que noite esta!

As auroras, acham que elas não se vêm? acham que elas não se mexem? acham que o verde é photoshop? acham que é montagem a diferença das cores? 

Tudo falso!

As auroras veem-se, com um KP (índice de atividade geomagnética) é possível ver coisas fantásticas. Eu vi verde, eu vi roxo, eu vi elas a mexerem-se em linha, vi elas a mexerem-se para cima e a ficarem grossas, vi aquilo que sempre imaginei como mito!

Se valeu a pena a viagem, os km's a pé, as horas de avião, os -25ºc?

Claro que sim, afinal há coisas que não podemos perder e apreciar a natureza é uma delas.

Para finalizar, se é fácil a viagem?

Não...

Apanhei -25ºC em montanha, fiquei sem mexer as mãos, os dedos roxos durante algum tempo, o cabelo congelado mesmo com proteção total na cara, congelava com a respiração. Na cidade estavam sempre no máximo -10ºC, mas essa temperatura para mim até era agradável pois adoro frio, mas para tirar fotos, comer, beber é difícil.

De manha tinha de aquecer agua, colocar no cantil a ferver para que durasse até à hora de almoço fria sem ser gelo.

A roupa tinha de ser primeiro uma cama térmica, depois uma camada de roupa de neve, de seguida um casaco próprio do ártico e por ultimo as proteções de mãos, cara e cabeça.

A vantagem, todos os lugares públicos cobertos são aquecidos e muito aquecidos.

O calçado é fundamental, impermeável, boa aderência ou então raquetes para caminhar na neve, tudo depende do objetivo de cada um.

Para montanha, uma boa mochila bem preparada para aguentar os -25ºC durante umas horas em esforço físico.

Fica aqui a dica, hei-de lá voltar, no inverno porque fica a um passinho da Lapónia, no verão porque quero conhecer a cidade que nunca tem noite, onde às 3 da manhã tem de se sair à rua de óculos de sol.


Informação prática:

Voo com 2 escalas: Porto - Frankfurt - Oslo - Tromso

Alojamento: Hostel Beijing home

Comida: tudo feito no hostel, grande parte levada de Portugal, é muito cara a alimentação lá

Visitas: povo sami, climbing da montanha alta, observatório de auroras, todos os museus, polaria, centro de ciência, parque natural, catedral do ártico, todas as ruas e lojas típicas, construções de gelo, igreja católica, e mais alguns locais que simplesmente nos apeteceu entrar


Todas as fotografias são minhas tiradas com uma Nikon D3400.